sábado, novembro 20

Olhar Frio.

não reconheço esse olhar frio. o brilho dos teus olhos já não alcança os sentimentos da minha alma.

e o que era energia viva, agora é apenas indiferença, nua e crua indiferença morta.

flagro-me relembrando as promessas do passado.

as juras eternas, as trocas de carinho, as frases que não tinham sentido algum, apenas sentimento. as músicas tocadas tal qual hinos.

hinos de amor, hinos de amizade.

o sol agora começa a se pôr. mais uma tarde vai embora e uma linda noite começa a nascer. é o ciclo da vida.

ciclo. começo meio e recomeço.

tudo chega no final para enfim recomeçar.

amanhã o sol irá se pôr novamente.

sábado, novembro 13

Rima dos Olhos.

Falam os teus olhos quando encontram os meus

falam palavras que não ouso decifrar

sorriem os teus olhos quando fitam os meus

sorriem e me deixam despida como se

estivesse de camisola, a despertar

terça-feira, novembro 9

Limpeza Geral.


Hoje resolvi organizar meu guarda-roupa.

Há muito tempo queria fazer isso, mas não tinha coragem de tirar todas as roupas de dentro, dobra-las e novamente guarda-las.

- assim como não tinha coragem de revirar as paixões guardadas no meu coração e remendar e guardar aquelas que me faziam bem –

A porta não estava totalmente fechada, pois algumas peças de roupa amassada impediam. Escancarei a porta e com rapidez e um pouco de agressividade fui retirando as peças de dentro do armário. Pouco a pouco o móvel foi ficando vazio, sem vida, nem utilidade.

- tal qual o meu coração, que depois de ter sido abarrotado por paixões avassaladoras, agora estava sem movimento, sem utilidade –

Joguei todas as roupas em cima da cama. Todas as minhas peças de roupa estavam ali, amontoadas, desorganizadas, fora do seu abrigo, desprotegidas.

- também os sentimentos que guardo em mim estão jogados na cama do esquecimento e do desprezo, amontoados, sem ordem e sem abrigo, misturam-se conforme a mão do destino (ou de qualquer outra coisa que não sei nomear) –

Então fui dobrando peça por peça com bastante cuidado, e cada uma delas me trazia alguma lembrança. Muitas me lembravam uma época de certa inocência, outras me lembravam do tempo de colégio. Blusas com manchas que nunca saíram, short’s com rasgões de alguma queda que nem lembrava mais, saias que já não me cabem, vestidos que sempre uso quando quero me sentir bonita, camisetas de caráter mais formal que sempre são usadas nas seleções de emprego, jeans novos que nunca usei, e até peças que não eram minhas.

- pouco a pouco também fui revendo minhas paixões e lembranças. Muitas da adolescência, mais puras, mais bobas, mais fracas. Mas continuavam lá. Outras já bem desgastadas pelo tempo, com buracos enormes causados pela desilusão, porém essas eram fortes por mesmo desgastadas ainda resistiam. Existiam também aqueles sentimentos bem sólidos, sem manchas, sem sinal de desgaste, intactos. Esperando o momento de despertar, servir, alegrar.

Separei todas as peças que não me serviam, separei também as que não eram minhas para devolvê-las. Coloquei-as de lado. Fui guardando as que restaram uma por uma, com bastante cuidado, cada qual no seu lugar. O trabalho foi demorado, cheio de lembranças, mas depois que vi o guarda-roupa organizado percebi todo o sentido do meu trabalho. As peças mais importantes ficaram no topo das fileiras, mais próximas do meu alcance. Já as que não serviam foram retiradas, liberando espaço no móvel para as peças novas que virão.

- e quando pude perceber o valor de cada sentimento e cada lembrança guardada no meu coração, pude organizá-los e descartar aqueles que não me faziam bem. Consegui reencontrar sentimentos que estavam perdidos e esses eram justamente aqueles mais sólidos e verdadeiros, pois mesmo perdidos, continuavam lá, firmes. E no fim restaram apenas os que realmente importavam para minha vida. Que novos sentimentos visitem meu coração, e se forem verdadeiros, que sintam-se aconchegados no meu lar que agora está limpo e renovado.

domingo, novembro 7

Meu desejo é verde.


A idéia, a vontade

a saudade, o querer

o impulso, o insulto

o medo, o não fazer

o começo, a tensão

a mão da imaginação

o resultado pensado, esperado

primeiro passo

segundo passo

ah, e o coração?!

descompassado

a chegada, aquela esperada

a chama aguardada

o fogo, a brasa

a alma calada

o vento, a terra

o tudo e o nada

a viagem sonhada

quarta-feira, novembro 3

Samba da Noite

E quando todas as luzes da casa apagarem

E todas as lágrimas do meu rosto enfim secarem

Eu vou lembrar da tua voz ecoando ao fundo:

Não chores amor pois a vida é um lago profundo.

Eu não consigo pensar no que me resta

Em minhas lembranças só restam as bebidas da festa

Os olhares que eu dedicava exclusivamente a ti

As risadas tão soltas no ar

Teu perfume em mim.

E a cada segundo que passa sem tua presença

Eu vou acreditando que a minha vida já tem uma sentença.

É pena que por ti não esperei e me confundi

E o amor que tenho por ti

Não podes tu dedicar a mim.

terça-feira, novembro 2

Malemolência.

Quando acordei do teu lado senti falta de todo o brilho que tinha nos envolvido nos nossos primeiros encontros. Eu senti que todo o encanto tinha desaparecido e agora restava apenas um vazio e talvez até arrependimento. Porém, em mim não tinha sumido. Não ainda.

O que é um beijo, se eu posso ter o teu olhar?! A música que me faz lembrar do teu rosto ainda toca com a mesma suavidade e embalo de antes. O que aconteceu menino, pra tudo mudar em questão de horas sem sentido algum?

Caminhamos por ruas desertas durante a madrugada, desejamos Bom Dia, pedimos desculpa, brigamos, choramos, sorrimos. Sem ter a noção exata da consequencia de nossos atos automáticos.. Falamos sem nos preocupar com a veracidade de nossas palavras e de nossos desejos. Nossos desejos tão nossos, mas que tantas vezes são reprimidos por conta do desejo do outro, confude-se, mas no fim todos buscam a mesma fonte de felicidade e prazer.

Comemos pão com queijo, bebemos refrigerante e proferimos frases bonitas para os que estão ao nosso redor, executamos todas essas ações com a mesma atenção, como se tivessem o mesmo sentido. Mas não tem, pelo menos eu acredito que não. Eu não posso dizer que te amo se isso não for realmente uma verdade, afinal tudo que saí da minha boca, que é proferida pela minha voz, vai mover e decidir a vida de milhões de pessoas pelo mundo afora.

Somos irmãos, somos filhos da mesma força criadora e dependentes da mesma mãe, a mãe Terra. A chuva que agora cai na terra da luz parece entender que na terra do meu coração também cai uma chuva, uma tempestade até.

A pouco eu fui tomar banho, e esse banho tomou um sentido importante e verdadeiro para o meu ser cansado de tanto pensar, conversar, e tentar conquistar um outro ser. A busca pelo amor será mesmo assim? Estamos mesmo na direção certa? Nascemos em um mundo que pede para que sejamos competidores, para que no fim nos tornemos vencedores, como se todos já nascessem em meio a uma guerra. Não consigo compreender a lógica de competir, dentro da imensidão do sentimento amor, dentro do mundo infinito dos sentimentos bons. Também sei que nunca vou conseguir encontrar a explicação para todas as minhas dúvidas, mas tenho que continuar a procurar..afinal, me ensinaram a nunca desistir. E essa força de vontade está encravada em mim, assim como as dúvidas e certezas.

O egoísmo ronda as nossas vidas. Até quando queremos nos doar para o outro, acabamos sendo egoístas. Afinal no fundo, queremos mesmo é ser amados, dar e receber amor. Seria então um egoísmo bom?! Escuto agora várias músicas, todas me lembram você. Nós tentamos sempre separar o físico, do sentimental. Impossível. Tudo encontra-se na mesma dimensão e na mesma sintonia, meu corpo pede o teu, e como se fosse mágica as músicas que estão tocando parecem ter sido escolhidas a dedo para esse momento.

Eu queria saber pôr pra fora tudo que eu tô sentindo agora, mas saco vazio não fica de pé e no fundo eu sei que tudo que tô sentindo é necessário para a minha aprendizagem, para a minha busca constante pelo auto-conhecimento.

Minhas palavras vão caminhando livremente por esse espaço em branco e nem eu sei mais porque comecei a escrever..

Acho que queria colocar pra fora um pouco da minha decepção ou até mesmo revolta, e quando paro pra pensar percebo que o mundo é muito complicado, ao ponto de sentimentos nobres como o bem querer, desencadear sentimentos pobres como a decepção.

Enquanto eu escrevo teu rosto fica se desenhando na minha mente e todas as palavras que você me disse ficam se misturando com as palavras que eu escrevo, eu não sei se você me falou verdades..ou se queria apenar se livrar de toda a minha atenção.. Eu não sei se sentes falta do meu corpo na mesma proporção que eu sinto a falta do teu..eu não sei, eu não sei..

Como ficamos longe de alguém apenas por medo de faze-la sofrer? Quem foi o primeiro ser humano que causou sofrimento em um semelhante apenas por medo de causar um sofrimento ainda maior? Não meu menino, essa tua lógica não tem lógica.

Eu preferia sofrer depois com a tua falta, com as tuas conversas bobas que quase nunca levam a lugar algum, mas que na maioria das vezes querem dizer apenas uma coisa: eu não posso te dar tudo.

Eu não quero tudo meu bem, quero você nos instantes em que nossos corpos se tremem e suam na presença um do outro. Isso eu sei que acontece, as vozes dos outros ficam mais baixas, a luz da lua mais forte, e os nossos olhares sempre fitando nossos lábios. Eu quero você nos nossos instantes, que não precisam acontecer sempre, que não tem hora pra acontecer, simplesmente acontecem.

quinta-feira, setembro 30

Tom

tuas perguntas soam ao meu ouvido

tal qual interrogatório policial

teus passos seguindo os meus

desviam-me de meu caminho habitual

algumas vezes perco até a direção

as mãos que antes vinham de encontro

aos meus braços, agora vão de encontro à

minha mochila surrada, à procura da

prova do crime

teu olhar que tantas vezes fitou o meu

fitava e consolava, fitava e sorria

agora apenas encara.

se meus olhos tomavam um tom avermelhado

logo tu vinhas gentil e carinhosa:

tava chorando minha menina ?

hoje o tom avermelhado de meus olhos

te causa apenas desconfiança

medo e me fala com ironia

cada vez que chego em nosso lar

tu colocas um tijolo no

muro que nos separa

quem irá derruba-lo minha velha senhora?

perco-me à procura da resposta.

segunda-feira, setembro 20

Minha Deusa

Minha nêga-menina

ainda é menina?

ou será que é mulher?


Cheiravas a inocência

e um prazer natural

tinha um sorriso gingado

e um olhar fatal


Hoje segue por aí

nas ruas daquela

cidade de luz


Diz que é filha da lua

que sua mãe lhe ilumina

Diz que é companheira do sol

que ele sempre lhe guia


Mas no fim o que eu bem sei

é que teu sexo exala

um atraente perfume

perfume das deusas das ruas

perfume das deusas da terra

daquela terra de sol.

segunda-feira, setembro 13

Querendo não ser.

É mais sincero do que posso imaginar

mais intenso que o brilho dos meus olhos

caloroso e encantador com palavras fortes

rasgando idéias fixas e enraizadas no peito

Agora é saudade instalada no coração

dúvida que não para de arder na

brasa do fogo da paixão que nasceu

Entendimento prazer e carinho

brigas suor medo e tensão

Os corpos que se atraem inocentes

deixando de lado compromissos atados

conservadorismo castrado

É poesia que soa aos ouvidos embalando

conversas meio sem sentido

é música verdadeira tocada pelo

desejo das almas que se querem

É

querendo não ser

mantém-se no instante maior do querer

é voz sussurrada no ouvido do outro

com medo da palavra ganhar o mundo

é beijo roubado em meio a risos

irônica inocência,

nem pensam no futuro

quinta-feira, setembro 9

No ir e vir das letras.

♪ E no meio de tanta gente eu encontrei você ♪

Encontrei o que não estava perdido nem desencontrado

Encontrei o calor que esquenta outros braços

e os lábios que beijam outra face

♪ Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio ♪

E veio como uma enchente lavando a minha alma

E eu me perguntando se as gotas dessa chuva

já molharam outras casas

♪ E eu que pensava que não ia me apaixonar ♪

Criando frases feitas e bobas apenas

pra me aproximar.

Olhando ao redor, procurando os outros que

teimam em me alertar

que teu coração não tem limite

e são muitas as donas desse grande lar

♪ Mas com você eu fico muito mais bonita, mais esperta ♪

Teus versos vêm de encontro à minha melodia

mas tuas pernas vão de encontro à tua vida

teu amor é doce e embriaga como o vinho

mas desse vinho não quero mais beber.

sexta-feira, setembro 3

Clave



Ela representa o que de

mais puro existe em mim.

Representa um sonho de infância

a infância sofrida, não tão inocente

porém, repleta de sonhos.

Ela representa o desejo e

a sede de todos os dias

a fome, ânsia, o prazer, o querer.

Ela representa a voz dos

amados, o choro dos sofridos

a alegria dos passistas

os delírios dos ébrios

representa a minha sujeira

meu escarro e lágrima

desabafo e grito

Representa.

representa o que eu

guardo de mais sujo

e o que guardo de mais limpo

representa as brincadeiras

no meio da rua e

as bebedeiras nos bares da cidade

representa meu corpo dançando

no meio do salão lotado

meu corpo rebolando

transpirando paixão

ela representa.

representa a voz mansa de Marisa

e o dedilhado de Caetano

a rebeldia de Raul

e o batuque do Cordel

o samba de alcione

e o forró de alceu

representa enfim as vozes que me embalam

e as melodias que me emocionam.

terça-feira, agosto 31

Cartaxo. [1]

generosidade incomum
uma voz rápida prendendo a minha atenção
música poesia vida e arte
juntas na mesma emoção
de gestos sutis
o flerte incomum
risadas sem graça
um brilho no olhar nunca visto antes
nunca visto por mim
os meus batimentos perdendo o controle
o alcool me deixando mais a flor da pele
mais um verso apaixonado
mais um gole de vinho barato
e enfim o toque dos teus lábios
as minhas mãos percorrendo a tua nuca
e o teu rosto barbado de homem boêmio
as tuas mãos acariciando minha cintura
puxando meu corpo pra junto de ti
o sorriso adolescente no fim do beijo
ele parece ter parado o tempo ao redor de
nós dois
tudo parecia ter tomado seu devido lugar
depois do beijo demorado
a noite parecia realmente ser uma criança
ainda no começo de sua longa vida
os outros olhavam com um ar de riso meio bobo
meio nem sei o que
na verdade os outros eram apenas coadjuvantes
aquela noite era estrelada por
nós dois.
paredes brancas com desenhos coloridos
teto de telhas marrons
o vento da cidade litorânea
apenas eles nos espiavam
o amor acontecia
sem medo sem dor
sem receio nem pudor
acontecia
e erámos apenas
nós dois
tudo escuro só sussuros
e aquela criança
tão nossa criança
agora chamava-se
bela madrugada


domingo, agosto 15

Sangue


Percebi meu lábio sangrando

a gota de líquido vermelho

coloria minha boca seca

e o sangue vinha carregado

menstruado, abortado


Dançavam em minha pele

átomos de álcool, água, saliva

a gota carregava amor e mágoa

desejos, certezas, algumas mentiras


Cuspi tudo na pia branca

o branco leite, o vermelho vivo

de súbito lembrei da noite anterior

engolia o sangue das uvas

engolia ferozmente

era como se estivesse a engolir

o sangue das minhas viúvas


Viúvas do amor derramado

viúvas dos sonhos roubados

viúvas até do que não foi encontrado


Observo novamente o branco leite,

o vermelho vinho

e jazem ali os corpos

de minhas esperanças mortas.

segunda-feira, agosto 2

Amizade em Clarisse.

Li agora um conto de Clarisse,

bebo agora mais um gole de um vinho barato qualquer

e o vento da varanda – do apartamento de uma amiga –

bate no meu rosto.

A casa está em completa harmonia.

A dona dorme, a hóspede observa inquieta.

O vento faz um barulho por entre as

frestas da porta da varanda.

Somente quem está na sala consegue ouvir.

Eu estou na sala.

Parece que as máquinas lá embaixo procuram se mover

sem os seus maquinistas comandarem.

É o barulho do urbano.

Do asfalto e do concreto.

Da madrugada tomando voz.

Do abstrato tornando-se vivo.

E do vinho deixando-me ébria.

Procuro minha mãe Lua companheira de quase todas as noites,

deve estar por ai iluminando a noite de algum casal apaixonado.

Aqui estou eu escrevendo minhas sentimentações

e também sensações. Seriam a mesma coisa?

Inspiro-me a falar sobre amizade.

Nobre e honrado sentimento.

Tantas trocas, favores e no final:

Silencio.

Sim, silencio.

A amizade sincera no fim

encontra o silencio esperado e

tão ao mesmo tempo inesperado.

Eles se reconhecem a fundo,

se conhecem no âmbito do mal,

do bem, e do ser humano.

E no fim, são dois amantes.

Ah, a amizade. Que também é amor.

Que a tantos salvou,

que a tantos desgraçou,

que a tantos consagrou.

Es tu e não a religião,

Mas simplesmente tu, o elo dos homens...

domingo, julho 18

Flores murchas do Jardim.

Elas caminham com seus passos firmes,

suas pernas torneadas, suas barrigas sofridas

pelos vários partos e seus pensamentos

cercados de desejo proibido.

Desejos esses que nunca são realizados,

elas sempre querem o novo e o proibido

e sempre recebem o velho, o tipo

de sexo batido e normal.

Anseiam por gozos coletivos, por braços

fortes acariciando suas carnes flácidas,

por palavras vulgares carregadas de

tesão.

Lembram-se da adolescência não tão

distante, de poucos anos atrás.

Em que se vestiam e se pintavam para

encontrar aqueles que hoje são os seus maridos,

os donos da situação, os que escolhem a posição.

Posição, posições, desejos e situações.

Elas querem sentir o corpo se contorcer,

sentir o ápice do prazer.

As pernas tremerem com o gozo esperado,

as mãos se molharem com o suor do corpo cansado,

sim isso é o esperado.

Mas elas recebem apenas o sexo masculino

entre suas pernas no movimento de vai-e-vem,

as barrigas de seus maridos encostando em

suas barrigas e em seus seios.

O sussurrar da excitação daquele operário.

E elas esperando o pedido: fica de quatro

E elas esperando novos beijos em seus lábios.

Mas ouvem apenas o sussurrar do marido

já meio cansado : Mulher, vira ai pro lado

que eu vou dormir, tô muito cansado.

Rotina de sexo e não de prazer,

de vida sofrida e línguas em fogo.

Mulher trabalhadora, a dona de casa.

Feminilidade partida, pedindo socorro.

quinta-feira, julho 15

Carta do Pedro "Pedrada"

O baixista da banda Ponto de Equilíbrio escreveu essa carta quando ainda estava preso por tráfico, pois a polícia encontrou em sua casa 10 pés de maconha e 8 mudas.
Graças ao trabalho dos advogados e graças a Deus, Pedrada hoje está livre da acusação de tráfico ao qual ele foi acusado inicialmente.
Grower não é traficante! Grower é contra o tráfico.
Até quando vamos aguentar essa hipocrisia? Legaliza Brasil!

_______________________________________________________________

Irmãos e irmãs de todo o Brasil...
Primeiramente agradeço pela atenção e interesse de todos e peço encarecidamente para que não deixemos essa chama se apagar...
Tudo começou há mais ou menos cinco anos atrás, quando tive meu primeiro pezinho. Na verdade, nunca escondi muito que plantava apesar de ter noção que poderia ser pego por isso. Pelo contrário, me orgulhava por não financiar o tráfico e ainda por cima desfrutar de uma erva com pureza e qualidade sem igual.
Infelizmente o pior aconteceu e fui "flagrado" com minhas plantinhas no meu quintal. Isto ocorreu por uma denúncia de alguém que se incomodou com meu costume e me dedurou para a polícia do 75º DP de Rio do Ouro, fato que me questiono, pois moro em Itaipu (região oceânica de Niterói), área do 81ºDP.
Desde o momento em que fui abordado percebi a finalidade da polícia e não ofereci nenhuma resistência, inclusive permitindo a entrada deles na minha residência. Afinal, quem não deve, não teme.
De lá fui encaminhado para o 75º DP, onde fiquei de molho num depósito cela com chão úmido e péssimo cheiro, com umas motos velhas entulhadas e outro preso para dividir uma cadeira e jornal no chão para deitar. Fiquei lá das 10h até 6h da tarde aguardando o desenrolar da situação.
Durante minha espera a imprensa foi acionada e junto com a perícia se encaminharam até a minha residência. Lá, infelizmente a imprensa invadiu minha propriedade sem permissão da minha esposa que lá estava. Enquanto eles posavam para fotos com as plantas e pareciam se divertir com a situação junto com o pessoal da perícia, minha esposa, para se preservar ficou no quarto chorando e pedindo para imprensa ir embora, sem sucesso.
De volta à delegacia já com meu advogado em ação fui autuado no artigo 33 como traficante. Ironia do destino, logo eu que me orgulhava de não colaborar com o tráfico, estava preso dessa maneira.
Da 75º fui para Polinter em Neves (São Gonçalo). Logo chegando lá fui obrigado a raspar o cabelo e a barba e encaminhar para o "xadrex 8", onde dividi uma cela de aproximadamente 40 m² com outros 70 presos. Mas graças a Deus e aos amigos não precisei passar a noite inteira ali, no "xadrez 8". E no meio da noite tive o privilégio de ir para uma cela mais humana.
No dia seguinte fui transferido para a Polinter do Grajaú, onde estou agora. Cheguei pouco antes do jogo do Brasil contra a Holanda. Logo que cheguei me botaram em um lugar chamado "porquinho": uma salinha fechada de aproximadamente 7 m², onde os presos aguardam para ser encaminhados para ir para as suas celas. Por azar do destino pouco antes do jogo, o "porquinho" ficou super lotado com 18 presos e tivemos que aguardar desconfortavelmente enquanto o jogo do Brasil rolava. Nunca vou esquecer disso, graças a Deus o jogo não foi à prorrogação.
Agora estou no "X-12" com outros dois presos. Posso dizer que estou em condições humanas perto do que vejo em outras celas aqui mesmo.
Por aqui a vida é nua e crua. É uma espécie de curso intensivo forçado de como viver a vida. Você vê claramente que só há uma coisa a fazer: se agarrar em Deus.
Aí fora sou conhecido no mundo da música como Pedro "Pedrada", baixista da Banda Ponto de Equilíbrio, bastante popular do segmento do reggae (ritmo de origem jamaicana com muitos apreciadores no Brasil). Como muitos, sou um rastafari. Rastafari para alguns é filosofia de vida, para outros é corte de cabelo, mas para mim e muitos irmãos e irmãs é uma religião e existe toda uma cultura em torno dos rastas.
Uma das características mais surpreendentes da cultura Rastafari é o uso da ganja (canabis sativa popularmente conhecida como "maconha"). Dentro de rituais religiosos onde se lê a Bíblia e outros textos sagrados, tocamos tambor no ritmo Nyahbinghi e entoamos hinos de louvor a Deus (Jah) e aos elementos da natureza. Até o Príncipe Charles já participou de um ritual Nyahbinghi, pode se assistir em vídeo postado no youtube.
Eu como rastafari sempre enxerguei a ganja como uma planta sagrada e buscava o uso de forma respeitosa de acordo com os preceitos da religião a que sigo. Sendo o Brasil um país laico me senti profundamente lesado com a atitude da polícia e da imprensa com a forma que fui tratado.
Outro elemento da minha religião são os dreadlocks, tipos de cabelos usados pelos rastas, o qual fui obrigado a cortar para entrar em Neves. Fato que também me lesou moral e espiritualmente.
Termino agradecendo mais uma vez a todos que se sensibilizam com a causa e conseguiram chegar aqui. Resta-me a utópica expectativa de um avanço na política legislativa para que outros não sofram o que eu e minha família sofremos e alerto, em ano de eleição, para um voto consciente.
Paz, amor e caminhos abertos para o povo de brasileiro.
Pedro "Pedrada" Caetano.

quarta-feira, junho 23

Grita Coração.



Grita coração.
Berra pro mundo todas as tuas angústias e anseios.
Derrama em lágrimas e sangue toda a tua fúria e
a tua enorme vontade de viver.
Grita coração.
Cospe de volta para esses hipócritas todo o
puritanismo ensinado na infância,
as proibições da adolescência e a
falsidade da vida adulta.
A liberdade que só existe nos sonhos,
a verdade que não é contada,
a inocência que é roubada.
Grita coração.
E quem será atingido por esses gritos?
Quem irá se constranger ou revoltar-se com esses berros?
Os verdadeiros, os intensos, os que vivem e
não apenas, existem. Ou talvez não.
Talvez estes estejam longe demais para
ouvir os teus gritos, coração cansado.
Eles estão agora contando verdades absurdas,
com suas vozes estridentes, de ébrios.
Ou com suas vozes suaves, de amantes.
Devem estar agora caminhando por ruas desertas,
quebrando regras, pensando em nada e ao mesmo tempo em tudo.
O nada dos que se dizem donos da verdade,
o tudo daquelas que vivem a verdade.
Porém, te digo. Grita coração.
Porque eu estou a te ouvir.
Habitas em mim, porém não sou tua dona.
Nem tua dona, nem de ninguém.
Sou tua companheira coração, as vezes até tua escrava.
E te peço, grita, berra!
Pois cansei de dar ouvidos para a razão.


terça-feira, junho 8

vela no olhar de cada um

sofrer no semblante do rosto

amigos em volta da mesa

canções soltar no ar

o sentir não é o primeiro contato

a embriagues e a luz branda

tocam os corações dos apaixonados

e dos ébrios.

a noite de fortaleza tornando-se madrugada

e o sentir em cada um tornando-se cicatriz.

a vida não é o segundo, muito

menos o prazer do seu lado.

a vida é o conjunto.

a vida, a morte, o existir.

terça-feira, junho 1

Um novo capítulo.

Procurar um caminho pra seguir, me encontrar, me perder, me entender. Quando, onde,como, porque. Questionamentos e dúvidas de um ser em construção, construção da dor, do caos. Canseira, cansaço, fadiga.Palavras soltas que ficam me perturbando e me jogando contra a parede dos erros e acertos. Reclusa no meu mundo particular que nada de particular tem pois é construído com palavras dos outros, carinho dos outros, bem me quer, mal me quer. Tal qual as pétalas da margarida vão sendo arrancadas pela mão da menina apaixonada, o meu coração vai sendo despedaçado pela fúria desse mundo cão. Eu já não tenho força ou talvez nunca tive, o pouco que tenho não é meu, a escrita, a necessidade de por pra fora, nada é meu, pois depois que as palavras são proferidas perdem a autenticidade e tornam-se apenas textos do mundo. Vou pensando e repensando as minhas atitudes, as que lembro ter cometido, e já não me encontro dentro dessas ações equivocadas e mesquinhas. O que vejo é apenas dor, mágoa, sentimentos ruins combatendo com os sentimentos bons, os sentimentos bons parecem ser sempre tão solícitos e deixam-se ser vencidos pelos ruins. Talvez os bons sejam apenas ilusão. Eu vou ouvindo música tentando preencher o meu ser com a alegria contida na melodia, com a paz e a calma que saem da voz do cantor preferido, mas isso não basta, não chega nem perto daquilo que eu quero ser ou entender.

Desistir ainda não é a hora, alias desistir nunca é a verdadeira saída, num é isso que todo mundo diz? E o que é todo mundo? De que valem essas idéias que são tomadas como ideologias e seguidas como verdades absolutas? Levam-te a algum levar? Levaram-te a algum lugar? Vão me levar a algum lugar? Mas perai, eu quero ser levada a algum lugar? Sim, eu quero. Quero achar meu caminho, quero fazer a minha própria história onde os outros que caminham ao meu lado serão apenas parte da história, coadjuvantes, e não os protagonistas. Sou eu a protagonista dessa história cheia de falhas, erros, mas também cheia de risos soltos, de pequenas conquistas, cheia de imagens carregadas de boas vibrações. Sou eu a protagonista dessa história, sou eu a flor que consegue renascer a cada manhã, sou eu a borboleta que quer alçar novos vôos. Não vou reinventar essa história, nem deixar de lado esse capítulo tão triste e carente de coisas verdadeiras, mas ele vai ser apenas um capítulo. Um novo capítulo está nascendo, e ele nasce com um lindo sol, iluminando e aquecendo a borboleta, a flor, a menina, a mulher.

quarta-feira, maio 26

muda, nua, crua.

ando muda, ando só.
caminho sempre com os mesmos passos.
meus pés pisam sempre no mesmo chão
o asfalto quente, o piso antiderrapante do coletivo
a calçada esburacada do campus, o chão do meu lar
ando calada, a espera do nada
muda, crua, nua
sem respostas, sem perguntas
apenas muda e nada muda
a saudade vela o meu silêncio
a saudade da compreensão, da lucidez
a saudade dela e a saudade do
vermelho vivo da aquarela
vermelho sangue que corre nas minhas
veias finas. vermelho pulsante. cortante.
porém calado. queria eu montar num cavalo alado
e gritar sem ter o que gritar.
afinal
ando muda, crua, nua
e lá fora, nada muda.

quinta-feira, maio 13

Sintonia e Destino.

sorriso que se escancara no mesmo segundo
pensamento que se constrói com a mesma idéia
e no final os dois seres se realizam no mesmo instante.
o verso que se encontra,
a música cantada no mesmo tom,
o riso solto tal qual criança feliz.
a simplicidade presente nos gestos e ações,
movimentos sincronizados e porque não dizer, movimento ensaiados?
ensaiados no nascer daquela amizade e no instante
em que os dois olhares castanhos se encontraram pela primeira vez.
ensaiados e regidos pela voz de dois grandes maestros do universo.
o destino e a sintonia.
o maestro destino foi responsável pelas notas
que soaram nos ouvidos dos dois seres,
notas essas que os levaram no mesmo caminho
para que pudessem se encontrar.
a sintonia é a mágica que envolve e aproxima
os dois seres tão novos e sonhadores.
e assim eles vão seguindo na caminhada,
se encantando a cada gesto repitido,
a cada frase pronunciada ao mesmo tempo,
a cada pensamento sincronizado,
a cada risada de graça solta pelo ar.
a sintonia que os envolve é tamanha que
parecem que estão se reconhecendo,
como se já tivessem vivido tudo aquilo antes,
assim caminham os dois.
com os desejos no coração, a paz e a humildade,
apenas desfrutando de tudo que é belo e puro
no mundo das sensações, realidades e saudades.

segunda-feira, maio 10

Os dois lados da moeda.

♪ eu digo calma alma minha, calminha, você tem muito o que aprender.

sentada no chão, ouvindo o baleiro.
me desprendendo dos sentimentos ruins.
me despedindo da tristeza e da angústia.
mas sei, que logo logo elas iram voltar.
sei que logo logo, elas viram para me pertubar.
procuro a caneta, pego o papel.
e o desespero vem junto com as lágrimas.
minha alma está dividida em vários pedaços
e eu não consigo reconstruí-la.
olho para a rua, vejo as pessoas caminhando.
alheias a tudo que as rodeiam.
sempre seguindo em frente, preocupadas apenas
com os seus problemas pessoais.
não enxergam o menino pedinte,
nem o cachorro vira-lata.
mas eu estou aqui. sentada no chão. observando.


as várias faces dos sentimentos me comovem.
os dois lados da moeda são tão diferentes.
deixei que a ilusão tomasse conta, mas do outro lado,
estava a compreensão e a amizade.
bastava ter jogado a moeda para o alto novamente
e esperar que ela caísse no lado certo.

♪ mas o tempo é um amigo precioso

aqui estou, mais uma vez vou tentar a sorte.
jogo a moeda para o alto.

domingo, maio 2

Sob Efeito.



o samba-rock invadindo o meu corpo,

esquentando o meu sangue, emaranhando os meus cabelos.

a música se fazendo vida dentro de mim e arrancando os males.

purificando. revirando.

vou escutando, devorando e ao poucos não é apenas

som, é cor, é ar, é tato, é toque, é corpo.

me vejo rodopiando, sorrindo, no ritmo da energia.

cada batida da música se confunde com as batidas

do meu coração e o meu sorriso seguido de gargalhadas parece

ser a própia música.

transcendo.

saio do estado de inércia, movo-me, sinto me viva.

estou sob efeito de uma droga universal:

a música.

sábado, abril 24

Senhor Tempo.




velho mas também jovem.
expressivo certo pontual.
doloroso angustiante imparcial.
reclamado aclamado e outras vezes até adorado.
tempo tempo tempo.
cura cria destrói constrói.

você não tem culpa de nada,
mas sempre lhe atribuem o poder de esquecer,
o pode de curar, de libertar.
mas você não teve parte na culpa do meu sofrimento
apenas assistiu a tudo.
apenas se misturou aos meus sentimentos e fez
segundos virarem horas e horas virarem eternidades.
ou em outras vezes, correu tão depressa que eu não
consegui acompanha-lo.
tão imponente e certeiro, tão longe do meu alcance,
você se faz presente de uma forma nata.
tento te prender, te dar nome, te regular, mas é em vão.
assim como também é em vão ficar esperando o dia da alegria.
é isso grande senhor, você vai sempre continuar passando, correndo e
eu esperando que tu leves contigo toda minha dor e que na viagem de
volta traga os ventos do amor.

quarta-feira, março 31

...

"O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo."

'Clarice Lispector.

terça-feira, março 23

Uma Vida Inteira.

tanto temos ainda
para falar um ao outro.
tantos sóis ainda vão nascer,
para que acordemos com seus raios quentes.
caminharemos na praia do futuro.
sem saber ao certo, qual será o nosso próprio
futuro.
contemplaremos mais vezes o pôr-do-sol.
sentados nas pedras do espigão da beira-mar
amaremos ainda várias pessoas,
derramaremos lágrimas de saudade,
tristeza, felicidade.
nascemos para viver uma vida inteira,
não uma vida medida, curta, vazia
mas uma vida inteira, o mundo inteiro.
vamos amar. fazer da nossa maneira
por uma vida inteira.

segunda-feira, março 22

Fortaleza Nublada.

Dia nublado na Terra do Sol.
Tudo fica mais calmo, monótono.
As beatas rezam e agradecem.
Acendem velas para um José.
Tantos José's caminham agora...
José's do sertão, dos calos da enxada.
José do carro novo, da cara fexada.
Dia nublado na grande Fortaleza.
Fortaleza essa,que não protege a todos..
Seus mares são livres, todos podem se chegar...
Fortaleza de José's, Maria's, Chico's..
Amo-te com fervor, terra do sol.
Meus pés caminham livres em teu chão.
Terra sem Igual, Terra Desigual.
Fortaleza, minha Terra Natal.

terça-feira, março 16

O Pouco Que Sobrou.

Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
Por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
Eu acho que acabou
Mas vou cantar
Pra não cair
Fingindo ser alguém
Que vive assim de bem

Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
O pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
E a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou

Los Hermanos.

quarta-feira, março 10

Aviso para os Ventos.

Ouvi que os ventos nos trazem os sentimentos sem nos avisar...
Simplesmente chegam e sopram!

Então Sr.Vento que traz sofrimento,
Sopre pra outro lugar. Por favor.

E Sr. Vento que traz amor,
Ah, não vejo a hora de você chegar.

terça-feira, março 9

Vida Breve.

Vida louca, vida breve.
Não pedi para nascer nesse mundo.
E nem pedi para sofrer por amor.
Não pedi para ter uma família,
E nem pedi para não ser compreendida por ela.
Porém, aqui estou.

Deram-me esse mundo.
Deram-me essa vida.
Deram-me essa família.
Deram-me vários amores.

E aqui estou. Vivendo.


Talvez eu não precise amar
as outras pessoas que também
compartilham desse mundo...
Mas mesmo assim, eu amo.

domingo, fevereiro 28

Perceber o chão. 1

Sempre em frente, você vai seguindo pelas ruas.
Olhando para as vitrines das lojas,
Para os carros parados no semáforo,
Se desviando dos vendedores ambulantes.

Pisa em uma terra, que chama de terra natal.
Pisa em um chão, que sempre parece igual.
Porém, pare, olhe, e perceba esse chão.

Todos os grandes caminham, e deixam rastros.
Todos os pequenos rastejam e deixam marcas.
Marcas de vida e de morte, de riso e de dor.
Marcas no chão da terra natal.

O chão do litoral,
O chão das tempestades
O chão da seca feroz.
O chão da terra da luz.

______________________________________________

Parte. 1
Perceba o chão, e me fale =)

sexta-feira, fevereiro 26

Paciência.

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

A minha vida não parou e todos me pedem apenas um pouco mais de calma.. O meu corpo, pede um pouco mais de alma, de vida, de energia. Mas eu, continuo tendo um pouco mais de calma. A vida seguindo. Indo.

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Me recuso a enxergar que o tempo é impiedoso, e que não vai esperar por mim. Eu me recuso a esquecer as tuas lembranças e seguir em frente. Vou no passo dessa dança incerta, sem saber onde vai dar.

Enquanto todo mundo
Espera a cura do
a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

Minha paciência fingida, engana a tudo e a todos, mas em mim continua forasteira, me dando rasteiras. Espero a cura da minha dor, fingindo ter paciência..

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Esperar. Esperar. Que angustiante. O mundo gira e eu me perco em suas voltas. Mas calma, apenas um pouco mais de paciência, para viver.

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...
________________________________________________

'Desabafo Pessoal. Nada interessante.

segunda-feira, fevereiro 22

A magia da percepção.

Vou caminhando pelas ruas da cidade.
E observo as feições dos que caminham ao meu lado.
São trabalhadores, estudantes, mendigos,
São patrões, professores e políticos.
Antes de tudo, são pessoas.

Caminham sem perceber uns aos outros,
Caminham e nem percebem a mágica
Que existe no caminhar pela cidade.

A mágica do caminhar está na percepção.
Perceber os outros, nós mesmos, o chão.

sexta-feira, fevereiro 19

A cidade sem você. 'Destinatário Único.

As ruas da cidade, continuam as mesmas.
Com as suas luzes amarelas, e as pessoas apressadas.
Com seus bares lotados e praças vazias.

Os nossos amigos, continuam os mesmos.
Com seus abraços confortantes e vozes macias.
Com suas violas alegres, corações cheios de vida.

As nossas músicas, continuam as mesmas.
Com suas notas perfeitas e vozes emocionantes.
Com seus intérpretes bêbados e ouvintes dançantes.

Porém eu, já não sou mais a mesma.
Não enxergo as luzes amarelas,
Enxergo o teu olhar.
Não escuto os intérpretes bêbados.
Escuto teu dedilhado e tua voz.

Eu não sou a mesma.
Ou voltei a ser, o que eu era antes de ti?
Impossível seria. Tua passagem provocou mudanças.
Tua despedida, explodiu percepções e sentidos.
E eu realmente, não sou a mesma.

Vivo intensamente a nova mudança.
Caminho pelas ruas, encontro e abraço amigos.
Escuto os intérpretes, danço o samba dos antigos.

E a mudança nesse caso, é sinônimo de nascimento.
Nasce um novo ser, amadurece um antigo coração.
Com meu pensamento voando, nas tuas lembranças,
Eu aproveito o momento de grande inspiração.

quarta-feira, fevereiro 17

..

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje.)

Álvaro de Campos.

sábado, fevereiro 13

Espelho.


Olho-me no espelho e analiso.
Procuro traços atraentes.
Procuro um sorriso contagiante
E um olhar marcante.

Olho-me no espelho e procuro
Procuro uma mulher desejada
Procuro agora, uma beleza exterior.
Não encontro.

Sou feita de alma e luz,
Sou feita de amigos e amores.
Sou exclusivamente interna.
Tens que procurar minha beleza contida, escondida.
Não tenho os cabelos lisos e sedosos.
Tenho cachos fortes e rebeldes.
Não tenho lábios carnudos e grandes.
Tenho lábios pequenos, a boca pequena.
Sempre abarrotada de palavras querendo sair.
Não tenho pernas longas e torneadas
Tenho pernas que buscam o amor,
Pernas do caminhar, do chão, da terra.
Beleza contida. Amor nas entrelinhas.

quarta-feira, fevereiro 10

Hoje.


Hoje não vou sair por ai espalhando sorrisos.
Não quero desejar bom dia, nem rir à toa.
Hoje não vou te compreender, nem te ajudar.
Hoje não.
Quero me compreender, me purificar.
Hoje quero rasgar-me por completo.
Quero arrancar desejos ruins,
Ouvir músicas tristes,
Escutar a voz da angústia.
Hoje não quero te dar amor,
Nem te dar prazer.
Hoje quero te dar um pouco da minha
Tristeza.
Só hoje.

terça-feira, fevereiro 2

Artistas da Vida.




Vozes de um só coração



Igual no riso e no amor



Irmão no pranto e na dor



Na força da mesma velha emoção



Nós vamos levando este barco



Buscando a tal da felicidade



Pois juntos estamos no palco



Das ruas nas grandes cidades



Nós os milhões de palhaços



Nós os milhões de arlequins



Somos apenas pessoas



Somos gente, estrelas sem fim



Sim



Somos vozes de um só coração



Pedreiros, padeiros,



Coristas, pasistas,



Malabaristas da sorte



Todos, João ou José



Sim nós



Esses grandes artistas da vida



Os equilibristas da fé



Pois é!



Sim nós



Esses grandes artistas dessa vida.





Gonzaguinha.


sexta-feira, janeiro 29

Cores.

Colho com os meus olhos, o Verde da árvore no jardim.
Apanho na pele, o Amarelo-Luz do sol que me esquenta.
Misturo com o Vermelho do meu sangue derramado.
Olho para o céu e me deixo preencher com o Azul.
Formo então um arco-íris de cores vivas.

quarta-feira, janeiro 27

Ventos.

Tudo aqui ainda estará sorrindo
Quando você voltar.
O vento do norte trará a boa nova
O vento do sul dará as boas vindas.

terça-feira, janeiro 26

Um Brinde ao Novo Desconhecido!

Novos objetivos foram lançados.
Na verdade, novos objetivos foram pensados.
Realizações, metas, provas. Tudo junto.
Ano novo se iniciando.
Vida nova aflorando.

Um novo ser nasce a cada dia dentro de mim.
E cada novo ser, sente de uma maneira diferente.
Isso é maravilhoso.
Sentir todos os dias de uma forma nova!

Objetivos, sensações, alegrias e tristezas.
Saudade, paixão, cachaças e vinhos.
Amigos, irmãos, desconhecidos...
Parentes, patrões, mendigos.
Tudo junto ao meu redor.
Tudo novo a cada dia.

Um brinde aos novos objetivos!
Um brinde a cada nova forma de sentir.
E Ser.

sábado, janeiro 23

Embriagues. 'Destinatário Único.

São quase 7 da manhã de um sábado e eu ainda estou um pouco embriagada da bebida da noite anterior. Isso significa que meus sentidos estão um pouco mais aguçados e que as minhas emoções estão bem mais nítidas.
Nesse momento a minha quase embriagues me faz pensar em você com muita força.
Força
Intensidade.
Palavras que de uns tempos pra cá estão muito presentes no meu pequeno vocabulário.
Existem alguns questionamentos que eu ainda não consegui responder. Um dos grandes é o porque de você estar tão presente nos meus pensamentos mesmo estando tão longe. Parece que a tua presença é muito mais forte, tudo ficou muito mais intenso. (Lá vem a tal intensidade de novo).
Estou suando, parece que o álcool está saindo do meu corpo pelos poros. Mesmo com o suor, a música que sai da caixa de som, o barulho da chuva lá fora, a voz da minha mãe murmurando na cozinha, o gato comendo a ração, o passarinho cantando no jardim. Mesmo com tudo isso, o meu pensamento só se ocupa com a tua imagem e a minha mente só se concentra em ouvir a tua voz.
Não sei se é obsessão, ou simplesmente mais um surto da minha saudade imensa e da minha vontade imensa de te ter por perto. Sei que amo você, e esse não é mais um questionamento, é um fato comprovado pelas minhas atitudes e ações.
Procuro em outros lugares, em outras pessoas, em outros corpos quentes, aquela sensação que tinha quando estava do teu lado e não encontro. Porque cada momento nosso, era único. Era vivido de uma forma única. E o meu amor, também é único.

terça-feira, janeiro 19

Verdade Alheia.

Escuto músicas no modo aleatório
A tal saudade escolhe a melodia
Os versos me lembram você
Essa angústia faz parte do meu dia.

Tudo continua no seu devido lugar
As pessoas passam na minha rua, alheias.
Mas dentro de mim, nada mais tem lugar.
Eu sou apenas um não lugar.
E as verdades foram inventadas.

A minha verdade, é apenas a tua fantasia.
A minha verdade, me corrompe noite e dia.
A minha verdade, pede a tua orelha fria.

terça-feira, janeiro 12

Palavras ao Léu.

Luz que invade meu ser.
Pensar que me preenche.
Prazer que me corrompe.
Sentir que me completa.
Música.
Música que me entende.
Música que me decifra.
Amor.
Vida.
Ame hoje pobre criatura.
Ama amanhã. Pois
O que fazer, senão amar?

domingo, janeiro 3

Desejo sem nome.

Nasceu e agora cresce em mim,
Ainda sem um nome definido
Um desejo assumido, encolhido.
Porém, que consegue me perturbar.

Não digo que seja ruim
Também não é de todo bom
Tenho medo da sua evolução
Tenho medo de tamanha confusão.
Já sinto a sua influência
Seus dedos me impulsionando
Ele quer mostrar-se vivo
E eu, vou apenas acompanhando.

Ah, levado desejo crescente
Não sei porque se instalou aqui
Mas já sinto a tua transformação
Fazendo de mim, um novo ser em construção.

O nome do tal desejo é mudança
Sede de mudança, vontade de mudança.
Mudar, mutar-se, transformação.
Ação. Nova direção, solução.
Conclusão.